Empregabilidade no Século XXI.
O conceito de empregabilidade está na qualidade do que ou de quem é empregável; possibilidade de ser empregado. Está ligado aos atributos de uma pessoa que a tornam capaz de obter e manter o emprego. O século XXI aponta para imensas dificuldades para quem está empregado, e, na possibilidade, de um contingente enorme de pessoas, serem empregáveis. No primeiro caso, manter-se no emprego, no segundo, abertura de novos postos de trabalho, mas que pode apresentar referenciais completamente distintos, de acordo com o que é possível visualizar, já caminhando para a terceira década do novo século.
As tecnologias apontam para a questão de como as pessoas se manterão ou ingressarão, no mercado der trabalho, que tipos de emprego serão necessários e quais serão extintos nesta dita quarta revolução industrial. As indústrias 4.0, como serão assim denominadas no futuro, e, em alguns casos, como é, a indústria moderna, serão quase que totalmente automatizadas, isto quer dizer que as máquinas farão, além do trabalho manual propriamente dito, o trabalho intelectual, podendo ser controladas por poucas pessoas e em espaços geograficamente distantes de onde está situada a fábrica, de forma remota.
As novas tecnologias afetam também, a agricultura, a pecuária e setor de serviços. O aprendizado no domínio destas novas ferramentas abre para o trabalhador a oportunidade de ser tornar empreendedor, o que parece ser mais promissor aos atuais trabalhadores, ao mesmo tempo em que extinguirá milhares de postos de trabalho. Negócios inteligentes conectados e capazes de se autogerir, com auxílio de alguns recursos específicos, com muito menos desperdício de dinheiro, além de inexistir exposição a atividades insalubres ou perigosas. Toda a cadeia produtiva será impactada. Não só o capital intelectual é uma vantagem competitiva, dentro do quesito empregabilidade. O capital emocional e o ético são tão importantes quanto o primeiro, em razão de que os novos tempos exigem um maior comprometimento e seriedade com as atividades e resultados. Não raras vezes, elevado capital intelectual não está agregado aos dois últimos, o que pode se transformar num problema para as organizações, porque as empresas competem tanto dentro, como fora de seus países de origem, exigindo uma perfeita performance entre os setores. Estar bem física, mental, espiritual e psicologicamente, agrega muito a uma equipe de trabalho em tempos de pressões diárias por resultados.
O campo do aprendizado é o melhor caminho, os atores sociais que perceberem isso irão se esforçar em fortalecer a educação, em especial para as crianças, que são as protagonistas desta nova sociedade. A educação para este século tem o dever de unir a técnica à aplicação dos conhecimentos teóricos. Neste sentido, a ética toma importância decisiva, pois os atos e as responsabilidades pessoais interferem no destino coletivo. Empresas e governos devem estar atentos.
Em termos de legislação, o Brasil tem flexibilizado suas regras, cuja finalidade é buscar melhorias nos índices de empregabilidade, ainda difícil averiguar os resultados de tais políticas, em razão da crise econômica provocada pela pandemia, a qual atinge todos os países. Mas, ainda assim, há um certo consenso entre os estudiosos no assunto que, em torno de 2/3 (dois terços) das populações dos países, mesmo aqueles desenvolvidos, estarão completamente afastados do mercado de trabalho, seja pelo envelhecimento ou pela adoção de novas tecnologias, o que se dará em torno de 2050.
Uma grande dor de cabeça para os governos na manutenção de aposentadorias para a população envelhecida ou na criação de emprego e renda para os mais jovens.
A legislação trabalhista sofrerá novas mudanças ao longo deste século, em razão destas novas formas de trabalhar, algumas delas já plenamente assimiladas, como é o caso dos trabalhadores em regime home office. Utilizando tecnologia, não há necessidade de deslocamento à unidade física da empresa para execução de suas atividades. Com a inserção de novos conceitos e novas máquinas, é possível a prestação de serviços em outras cidades, em outros Estados da Federação, e, inclusive, em outros países e continentes. Evidentemente que surgirão conflitos inerentes às novas formas de trabalhar, os quais acabarão sendo transportados para que o Poder Judiciário possa defini-los, dentro do que permite a legislação aplicável.
Mesmo com a exclusão de parte significativa da população do exercício de atividades laborais subordinadas, cujas consequências dependem de um estudo aprofundado, impossível neste pequeno espaço, com a adaptação às novas tecnologias introduzidas nos ambientes de trabalho, novas profissões surgirão. Terá o trabalhador de estar atento à necessidade de um contínuo aprendizado, não descartando a possibilidade de mudança de carreira para outra mais promissora para os novos tempos. O envolvimento com setores diferentes melhorará a empregabilidade das pessoas. A resiliência e a proatividade são características fundamentais para a empregabilidade no Século XXI.
O conhecimento, seja em área for, nunca será supérfluo. Os profissionais das áreas das ciências humanas têm plenas condições de entender o processo, além de agir e interagir com as pessoas impactadas com as mudanças provocadas, que trará benefícios, mas muita preocupação com a amplitude da exclusão social provocada. Os advogados trabalhistas, em suas atividades profissionais, podem mediar e enfrentar eventuais conflitos gerados entre empregados e empregadores, atuando como auxiliares do Poder Judiciário na solução dos mesmos. Processos longos são desgastantes demais,
e a heterocomposição frequentemente não contempla todos os interesses envolvidos, podendo criar descontentamentos.
Esta era de globalização, com uma rapidez enorme de transformações geradas pelos avanços tecnológicos, as quais atingem todos os setores da vida humana, conduz à ideia de construção de uma nova sociedade. Esta nova sociedade, indissociável do trabalho, um dos pilares da civilização judaico-cristã, tem de estar preparada para todas as situações a serem enfrentadas ao longo deste século XXI, tão instigante, desafiador e stressante, em razão de que não foram vivenciadas semelhantes experiências em tempos passados, na velocidade em que ocorre nesse século.
Ao final, talvez não pela força na crença, mas pela simplicidade e fortaleza dos ensinamentos do Mestre da Palestina, os habitantes desta grande nave e mãe, chamada Planeta Terra, compreendam que a chave para uma vida feliz se resume em fazer outras pessoas felizes, dividir conhecimento, somar esforços, diminuir mágoas e resentimentos, multiplicando boas ações. Impossível? Utopia? Não, basta trabalhar com a mentalidade voltada para o bem dos demais, para a edificação de um novo ser, também responsável pelos destinos de outros seres, e, essencialmente, cada um fazendo a sua parte.
Caxias do Sul, 29 de Abril de 2021.
Jerônimo A. Bonkevitch
